Banco do Povo volta a Outeiro para levantamento dos habilitados ao crédito

Banco do Povo volta a Outeiro para levantamento dos habilitados ao crédito

“Meu sonho é poder reabrir a barraca todos os dias e começar a atender delivery”, desabafa a empreendedora Cristina Lima, de 44 anos, que possui uma barraca na Praia Grande, em Outeiro. Ela é uma das empreendedoras habilitadas na ilha para receber o crédito solidário (microcrédito) do Banco do Povo, da Prefeitura de Belém.

Nesta terça-feira, 8, agentes de crédito do órgão foram até o local fazer o levantamento socioeconômico dos futuros beneficiados. O órgão dispõe de R$ 1 milhão para apoiar os empreendedores afetados pela interdição da ponte de acesso ao continente, dentro do plano de ações emergenciais da Prefeitura de Belém.

Com esse dinheiro, Cristina planeja melhorar a estrutura do estabelecimento para atrair clientes, realizando uma reforma e adquirindo novas mesas e cadeiras.

Delivery – “A maioria das barracas de praia esta fechada. São poucos clientes e o custo é alto para manter (o negócio). Ficamos numa situação complicada. Eu e a minha filha estamos desempregadas e dependemos desse negócio para sobreviver. Queremos montar um delivery aqui”, relata.

Outra empreendedora que está habilitada ao crédito, é Francisca Bandeira, de 79 anos, que há 23 anos possui o negócio familiar no local. “Parece mentira, vendi só quatro cervejas no domingo. Precisamos de dinheiro para reforma do forro, do piso, da fossa e, principalmente, pra comprar produtos pra vender”, conta ela. “A minha filha cozinha e a minha outra filha e o meu genro atendem os clientes. Eles não têm outro trabalho. Estão todos parados”.

Crédito solidário – O Banco do Povo está iniciando a concessão do crédito solidário a partir da ilha de Outeiro. Cerca de 50 donos de barracas de praia foram inicialmente habilitados para receber o benefício, que pode chegar a R$ 5 mil para pessoa física e a R$ 10 mil para pessoa jurídica.

O recurso pode ser empregado em capital de giro ou fixo. O pagamento é parcelado com juro de 0,01% e, ainda, há carência para começar a pagar. Já foram constituídos os grupos de aval solidário, nos quais uns empreendedores avalizam os outros do grupo, substituindo a apresentação de fiador.

Reta final – Diego Costa, da equipe de crédito do Banco do Povo, explica que o trabalho para a liberação do crédito para o segmento entra na reta final com a visita aos endereços dos empreendimentos, realizada nesta terça-feira, 8. O levantamento socioeconômico inclui a entrega da documentação dos interessados.

“Vamos levar tudo para o Banco, onde os documentos e os pedidos de crédito serão analisados. Em seguida aqueles que forem aprovados serão contatados para conhecer as condições do contrato que será assinado”, detalha Diego Costa.

Realidade – “Estamos em plena operação de atendimento dos donos de barracas da orla de Outeiro, cumprindo a missão do Banco do Povo e o compromisso do prefeito Edmilson Rodrigues de atendê-los no momento que mais necessitam. Para garantir o crédito, precisamos conhecer a realidade deles de perto”, declarou a coordenadora-geral do Banco do Povo, Georgina Galvão. Ela foi acompanhar de perto o trabalho dos agentes de crédito na ilha, nesta terça-feira.

A equipe retornará ao distrito para dar continuidade ao levantamento na quinta-feira, 10.

Agentes do Banco do Povo fazem o levantamento socioeconômico dos empreendimentos. (Foto: Ascom Banco do Povo)
A coordenadora-geral do Banco do Povo, Georgina Galvão, acompanhou o trabalho realizado.
Cristina Lima, de 44 anos, quer abrir o serviço delivery na barraca dela, na na Praia Grande, em Outeiro.