Banco do Povo de Belém discute avanços para costureiras da economia solidária

Banco do Povo de Belém discute avanços para costureiras da economia solidária

O Banco do Povo de Belém reuniu com lideranças da economia solidária do setor de confecções para ouvir as demandas e apresentar as ações disponíveis e os planos da instituição para apoiá-los no desenvolvimento dos empreendimentos.

A coordenadora-geral do BDP, Georgina Galvão, anunciou as parcerias para a oferecimento de incubação dos negócios e cursos gratuitos de manutenção de máquinas de costura e de confecção industrial. O encontro ocorreu nesta quinta-feira, 17, no Centro de Formação de Professores Alfabetizadores, da Secretaria Municipal de Educação (Semec).

Participaram da reunião, as lideranças do Fórum Municipal de Economia Solidária, Joana Mota; do Fórum Estadual de Economia Solidária, Afonso Pereira; e o professor Armando Lírio, da Incubadora Social da Universidade Federal do Pará (UFPA), entre outros. 

 “Precisamos de formação, capacitação e de microcrédito, que não tivemos acesso nas últimas gestões da Prefeitura de Belém. Precisamos fortalecer o nosso trabalho para contribuir com o fortalecimento da economia local”, destacou Joana. 

“Queremos poder colocar comida na mesa e pagar os boletos”, resumiu a costureira Ivete Moraes. “Na pandemia, nos adaptamos fazendo máscaras para vender e também doar. Vimos os parentes perderem os empregos, perdemos amigos, enfrentamos insegurança e abalo psicológico”, acrescentou.

“Acredito no potencial das mulheres e de que é possível uma união para o desenvolvimento do nosso trabalho”, afirmou a costureira Helena do Rosário, de 68 anos, que sustentou sozinha cinco filhos produzindo bolsas artesanais em regime de economia solidária. Ela revelou dificuldade de cálculo do custo da produção, o que foi um problema identificado pela Incubadora Social da UFPA na experiência com outras redes de costureiras da economia solidária.

Os grupos de economia solidária presentes foram: Amigos de Maria, Irmãs Arteiras, Grupo de Produção da Amazônia (GPA), Oitava Arte – A Filha da Mãe e Central de Produção e Confecção de Economia Solidária, que reúnem mulheres residentes nos bairros do Telégrafo, Pedreira, Bengui e Tapanã e no distrito de Icoaraci. 

Passado e futuro

Georgina Galvão explicou sobre o desmonte da política pública do crédito social (microcrédito), que está sendo reestruturada e voltará a ser oferecida às pessoas que mais precisam em Belém.

O incentivo à economia solidária foi definido pelo prefeito Edmilson Rodrigues, que fundou o Banco do Povo em 1997, na primeira gestão dele.

A coordenadora também detalhou sobre o reinício dos cursos de formação e capacitação profissional com a criação do programa “Donas de Si”, que iniciou o atendimento pelas beneficiárias do “Bora Belém”. Ela ressaltou as parcerias com os Sistemas Nacionais de Aprendizagem da Indústria e do Comércio (Senai e Senac) para oferecimento dos cursos de manutenção de máquina de costura e de confecção industrial e, com o Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Microempresa (Sebrae), a fim de prepará-las para acessar compras públicas. 

Já o professor Armando Lírio, explicou que, por meio da Incubadora Social da UFPA, é possível apoiar as costureiras a criarem uma organização social em rede que tenha capilaridade nos bairros em sistema de economia solidária. “Vamos apoiar os grupos nos campos administrativo, econômico, contábil, acompanhando a gestão e o planejamento”, explicou.

“A reunião foi para fazer uma escuta das lideranças do setor de confecção, que se organiza sob a bandeira da economia solidária e vamos ouvir outros setores também”, assegurou Georgina.